segunda-feira, 20 de maio de 2013

O compulsivo Jack

Um garoto de mentalidade irrequieta, assim era Jack. Seus 13 anos pareciam ter sido dedicados à procura de problemas. Na vizinhança, na escola, todos o conheciam, e ao pressentirem sua presença preparavam-se: algo com certeza ia ocorrer. Uma característica, no entanto, contrastava com a grande atividade mostrada pelo garoto: era fanático por livros, na linguagem dos amigos, um “rato” de biblioteca.

Realmente Jack era capaz de ficar horas folheando velhos manuais de reconhecimento de borboletas, enormes Atlas antigos ou qualquer coisa que chamasse sua atenção. Era um verdadeiro alívio para os pais saberem que Jack estava biblioteca em vez de estar fazendo algo grave. O que ninguém havia percebido, no entanto, é que muitas de suas idéias com as piores conseqüências havia saído justamente daquele amontoado de saber. Ele chegou até a montar um para-raio improvisado no barracão do quintal, utilizando velhas pontas de ferro. E, por incrível que possa parecer, o projeto funcionou. Isto é, só a metade, pois Jack esquecera o aterramento.

Havia sido pura sorte que durante a tempestade, alguns dias depois não houvesse alguém no local, literalmente destruído. Agora Jack tinha achado algo mais interessante, que fugia de qualquer ciência: um livro, na verdade um maço de folhas que falava sobre vudu caribenho. Imergiu naquele mundo de zumbis e bonecos que representavam pessoas. Fantasiou a possibilidade daquilo ser realmente verdade.

Não pensou por muito tempo; partiu para a prática. Hábil, costurou dois bonecos. Conforme o livro os mesmos deveriam ter algo da pessoa a quem representariam. Conseguiu uma mecha de cabelo da irmã, enquanto ela dormia, e terminou o primeiro boneco. Enquanto dava os retoques no segundo boneco, pensava na segunda vítima, distraído, acabou perfurando o dedo com a agulha. E resolveu terminar por aquele dia. Testaria o boneco já pronto, e se não funcionasse, deixaria o risco de transformar seu boneco em almofada para agulhas.

Recitou as preces do livro e foi procurar Mary, a irmã mais velha que tanto implicava com ele. Escondido, pegou a enorme agulha e tocou a perna do boneco; a irmã imediatamente olhou para a própria perna, assustada. Jack percebeu, e enfiou a agulha, fazendo com que a moça gritasse de dor. A mãe acudiu, mas não encontrava nada que pudesse causar tanta dor a filha. Jack segurava-se para não rir. Na verdade ficara um tanto assustado, pois, realmente, não queria machucá-la.

Mas a imaginar que poderia usar o segundo boneco para representar o namorado de Mary e
trabalhar com os dois juntos, não conseguia conter o riso. Saindo de seu esconderijo, sentiu uma forte fisgada no braço, como se um prego tivesse entrado. Mas não havia nada. Na perna uma dor ainda mais forte. Era como se estivesse sendo dilacerado. Seu corpo começava a sacudir, sem controle. A mãe e a irmã ficaram estáticas, chocadas. Jack consegue ainda raciocinar e corre para o quarto. Era o outro boneco. Tinha seu sangue, do ferimento da agulha. O boneco que sobrara, era ele. Mais não havia mais tempo. Otto, seu pastor alemão havia descoberto o brinquedo e o destroçava, sem perceber seu dono partindo-se a cada dentada...

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