quarta-feira, 29 de maio de 2013

Anneliese Michel — Caso Klingenberg

Já ouviu dizer que o filme “O Exorcismo de Emily Rose”, de Scott Derrickson, foi baseado em fatos reais? Pois essa é a verdadeira história de que ele foi inspirado. Outro filme, também inspirado na história de Anneliese foi o “Requiem”, de Hans-Christian Schmid.

Anneliese Michel

01. História

Anneliese Michel foi uma jovem alemã de família católica que acreditava ter sido possuída por uma legião de demônios — sendo eles Caim, Nero, Belial, Lúcifer, Hitler e Fleischmann —, tendo sido submetida a uma intensa série de sessões de exorcismos pelos padres Ernest Alt e Arnold Renz em 1975 e 1976.

Caso Klingenberg, como passou a ser conhecido pelo grande público, deu origem à vários estudos e pesquisas, tanto de natureza teológica quanto científica, e serviu como inspiração para os filmes citados à cima, “O Exorcismo de Emily Rose” e “Requiem”.

Anneliese começou a ter alucinações enquanto rezava. Ela também começou a ouvir vozes, que lhe diziam que ela era amaldiçoada. Em 1973, Anneliese estava sofrendo de depressão e considerando suicídio. O seu comportamento tornou-se cada vez mais bizarro. Anneliese andava nua pela casa, fazia suas necessidades em qualquer lugar, rasgava suas roupas, comia insetos (como moscas e aranhas), carvão e chegou a lamber a própria urina.

Depois de ser admitida em um hospital psiquiátrico a saúde de Anneliese não melhorou. Além disso, sua depressão só começou a se aprofundar. Anneliese começou a ficar cada vez mais frustada com a intervenção médica, que não melhorava a sua condição. Em longo termo, o tratamento não foi bem sucedido, seu estado, incluindo a depressão, agravaram-se com o tempo.

02. Exorcismo

Tendo centrado sua vida toda em torno de sua fé católica, Anneliese começou a atribuir sua condição psiquiátrica à possessão demoníaca. Anneliese tornou-se intolerante a lugares e objetos sagrados, como crucifixos, que contribuiu ao que achavam ser possessão demoníaca. Ao longo do curso dos ritos religiosos Anneliese sofreu muito. Foram prescritos a ela medicamentos antipsicóticos, que ela pode ou não ter parado de tomar.

Em junho de 1970, Anneliese sofreu uma terceira convulsão no hospital psiquiátrico, neste período foi prescrito pela primeira vez o uso de anticonvulsivantes. O nome deste medicamento não é conhecido e não trouxe alívio imediato aos sintomas de Anneliese. Ela continuou falando sobre o que ela chamou de “faces do Diabo”, visto por ela durante vários momentos do dia. Anneliese ficou convencida de que a medicina convencional não era de nenhuma ajuda. 

Naquele mesmo mês (junho de 1970) lhe foi prescrito outro medicamento, o Aolept (pericyazie), que é uma fenotiazina com propriedades gerais semelhantes à da clorpromazina: pericyazie é usado no tratamento de psicoses diversas, incluindo esquizofrenia e distúrbios de comportamento.

No verão de 1973, os pais de Anneliese foram até a paróquia local solicitando aos religiosos que submetessem a sua filha ao ritual de exorcismo. A princípio, o pedido foi negado, uma vez que a doutrina da Igreja Católica com respeito a essas práticas é muito restrita. Segundo a Igreja, dentre outras coisas, os possuídos devem ser capazes de falar línguas que nunca tenham estudado, manifestar poderes sobre naturais e mostrar grande aversão aos símbolos religiosos cristãos.

Algum tempo depois, o padre Ernst Alt, considerado um perito no assunto, conclui que Anneliese já reunia as condições suficientes para a realização do exorcismo, de acordo com os procedimentos prescritos no Rituale Romanum.

03. Anneliese e a Virgem Maria

Durante o tratamento, em um sonho Anneliese caminhou até o jardim e avistou uma imagem que ela dizia ser a Virgem Maria, na história ela teria recebido uma proposta da Virgem Maria, ela teria opção de se libertar dos demônios que possuíam o corpo dela, ou enfrentar seu destino e perder a vida.

“Anneliese optou pelo martírio voluntário, alegando que seu exemplo enquanto possessa serviria de aviso a toda a humanidade de que o diabo existe e que nos ronda a todos, e que trabalhar pela própria salvação deve ser uma meta sempre presente. Ela afirmava que muitas pessoas diziam que Deus está morto, que haviam perdido a fé, então ela, com seu exemplo, lhes mostraria que o demônio age, e independe da fé das pessoas para isso.”

04. Morte

Em 1 de julho de 1976, no dia em que Anneliese teria predito sua liberação, morreu enquanto dormia. À meia-noite, segundo o que afirmou, os demônios finalmente a deixaram e ela parou de ter convulsões. Anneliese foi dormir exausta, mas em paz, e nunca mais acordou, falecendo aos 23 anos de idade. A autópsia considerou o seu estado avançado de desnutrição e desidratação como a causa de sua morte por falência múltipla dos órgãos. Nesse dia, o seu corpo pesava pouco mais de trinta quilos.

Logo após a morte de Anneliese, os padres Ernest Alt e Arnold Renz comunicaram a morte às autoridades locais que, imediatamente, abriram inquérito e procederam às investigações preliminares.

Nos dias atuais, o túmulo de Anneliese Michel em Klingenberg am Main tornou-se um local de peregrinação para os cristãos que a consideram uma devota que experimentou extremos sacrifícios em um martírio voluntário para possibilitar a salvação espiritual de muitos.

05. Julgamento

Os promotores públicos responsabilizaram os dois padres e os pais de Anneliese de homicídio causado por negligência médica. O bispo Josef Stangl, embora tivesse dado a autorização para o exorcismo, não foi indiciado pela promotoria em virtude de sua idade avançada e seu estado de saúde debilitado, vindo a falecer em 1979. Josef Stangl foi quem consagrou bispo o padre Joseph Ratzinger, que no futuro se tornaria o Papa Bento XVI.

O julgamento do processo, que passou a ser denominado como o Caso Klingenberg (em alemão: Fall Klingenberg), iniciou-se em 30 de março de 1978 e despertou grande interesse da opinião pública alemã. Perante o tribunal, os médicos afirmaram que a jovem não estava possuída, muito embora o Dr. Richard Roth, ao qual foi solicitado auxílio médico pelo padre Ernest Alt, teria feito a afirmação à época que não havia medicação eficaz contra a ação de forças demoníacas.

Os médicos psiquiatras, que prestaram depoimento, afirmaram que os padres tinham incorrido inadvertidamente em “indução doutrinária” em razão dos ritos, o que havia reforçado o estado psicótico da jovem, e que, se ela tivesse sido encaminhada ao hospital e forçada a se alimentar, o seu falecimento não teria ocorrido.

A defesa judicial dos padres foi feita por advogados contratados pela Igreja. A defesa dos pais de Anneliese argumentou que o exorcismo tinha sido ato lícito e que a Constituição Alemã protege os seus cidadãos no exercício irrestrito de suas crenças religiosas.

A defesa também recorreu ao conteúdo das fitas gravadas durante as sessões de exorcismo, que foram apresentadas ao tribunal de justiça, onde, por diversas vezes, as vozes e os diálogos — muitas vezes perturbadores — dos supostos demônios eram perfeitamente audíveis. Em uma das fitas é possível discernir vozes masculinas de dois supostos demônios discutindo entre si qual deles teria de deixar primeiro o corpo de Anneliese. Ambos os padres demonstraram profunda convicção de que ela estava verdadeiramente possessa e que teria sido finalmente libertada pelo exorcismo, um pouco antes da sua morte.

Ao fim do processo, os pais de Anneliese e os dois padres foram considerados culpados de negligência médica e foi determinada uma sentença de seis meses com liberdade condicional sob fiança.

Os relatórios oficiais, entretanto, divulgaram a informação que o corpo já estava em avançado estado de decomposição. As fotos que foram tiradas durante a exumação jamais foram divulgadas. Várias pessoas chegaram a especular que os exumadores moveram o corpo de Anneliese do antigo sarcófago para o novo, feito de carvalho, segurando-o pelas mãos e pernas, o que seria um indício de que o corpo não estaria na realidade muito decomposto. Os pais e os padres exorcistas foram desencorajados a ver os restos mortais de Anneliese. O padre Arnold Renz mais tarde afirmou que teria sido inclusive advertido a não entrar no mortuário.

Abaixo está o áudio gravado durante o ritual do exorcismo (imagens fortes):



Fonte: Isso Dá Medo (http://www.issodamedo.net/2011/04/o-caso-anneliese-michel-emily-rose.html); Doce Psicose (http://docepsicose.blogspot.com.br/2012/01/historia-de-anneliese-michel-verdadeira.html); Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Anneliese_Michel)

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